Lanternas: episódio 5 encerra seu primeiro arco e revela o verdadeiro problema da série
Depois de cinco episódios, Lanternas parece finalmente encerrar o primeiro grande arco de sua história. O problema é que, depois de tanto mistério, referências à mitologia dos quadrinhos e uma investigação que prometia revelar algo muito maior, a conclusão deixa uma sensação bastante diferente daquela que a série vinha construindo.
O quinto episódio não é apenas mais um capítulo problemático. Ele expõe uma questão que estava aparecendo aos poucos: a série parece muito mais interessada em desconstruir a mitologia dos Lanternas do que em aproveitar aquilo que torna essa mitologia interessante.
Quando a referência vira apenas decoração
A produção não precisa ser fiel aos quadrinhos para funcionar. O problema está em utilizar personagens e conceitos conhecidos sem dar a eles o peso que possuem.
Manhunter, Atrocitus, os Guardiões e até mesmo a relação entre Hal Jordan e John Stewart são elementos que poderiam sustentar conflitos enormes. No entanto, grande parte dessa mitologia acaba servindo apenas como ferramenta para uma história que continua sendo, essencialmente, um drama policial.
O episódio chega ao fim com a sensação de que nomes gigantes foram utilizados para contar uma história muito menor.
E isso também explica por que algumas revelações não produzem o impacto esperado. Depois de tantos episódios criando perguntas, as respostas precisam justificar a construção do mistério. Quando elas parecem apenas mecanismos para levar a trama ao próximo capítulo, toda aquela preparação perde valor.
A diferença entre o Manhunter dos quadrinhos e o da série está nesta outra matéria: o que Lanterns fez com os androides.

Foto: HBO
A questão política deixou de ser apenas um detalhe
Outro elemento que ganhou espaço ao longo do arco foi a discussão racial envolvendo Hal e John. Não há problema em uma história de John Stewart abordar racismo ou desigualdade. Isso faz parte da trajetória do personagem e pode gerar discussões interessantes.
O problema é quando essa questão passa a determinar a própria dinâmica entre os protagonistas. A série estabelece Hal como o personagem privilegiado e problemático enquanto John é colocado como contraponto moral, e o episódio reforça essa leitura justamente quando deveria estar aprofundando os dois personagens.
O resultado é uma situação curiosa: para elevar John, o roteiro precisa diminuir Hal. E, ao fazer isso, a produção transforma um conflito que poderia ser sobre dois Lanternas com personalidades e experiências diferentes em uma disputa carregada por uma leitura política bastante explícita. Isso não torna a história automaticamente mais profunda.
Uma adaptação adulta não precisa relativizar tudo
A tentativa de tornar Lanternas uma produção adulta também acaba esbarrando em outro problema.
Existe uma diferença entre complexidade e relativização.
Heróis podem ter defeitos. Vilões podem possuir motivações compreensíveis. Instituições podem cometer erros. Tudo isso pode existir em uma história madura.
Mas é necessário que as ações tenham peso e que os personagens mantenham alguma identidade própria.
No episódio 5, essa fronteira fica cada vez mais difícil de enxergar. Manhunter perde parte da ameaça que deveria representar, Hal perde o peso de sua queda e John recebe uma posição de superioridade moral que o próprio roteiro nem sempre consegue sustentar.
No fim, parece existir uma preocupação constante em evitar personagens que sejam claramente heróis ou vilões.
Só que retirar todas as certezas de uma história não significa necessariamente torná-la mais adulta.

Foto: HBO
O primeiro arco termina, mas a temporada ainda precisa provar seu propósito
O quinto episódio encerra uma etapa importante da temporada, mas também deixa uma série de questões em aberto.
Ainda existem três episódios para descobrir o que realmente está por trás dos acontecimentos envolvendo Hal, os Guardiões, Sinestro e o protocolo Sentinela.
A questão agora é se essas respostas conseguirão dar sentido ao que foi construído até aqui.
Porque uma temporada pode mudar completamente a mitologia dos quadrinhos e ainda produzir uma excelente história.
Mas precisa existir uma razão para essas mudanças.
Até o momento, Lanternas parece ter confundido algumas vezes desconstrução com profundidade, conteúdo político com desenvolvimento de personagem e ambiguidade moral com maturidade.
E esse é um problema muito maior do que simplesmente não ser fiel às HQs.
O próximo arco terá que mostrar se o episódio 5 foi apenas uma conclusão irregular de sua primeira fase ou se ele revelou, de fato, a direção que a série pretende seguir.
🎥 Assista também à análise completa
Para uma análise mais detalhada do episódio 5, incluindo as referências aos quadrinhos, teorias e todos os acontecimentos discutidos nesta crítica, confira o vídeo da Dra Geek:





