Funeral de Hal Jordan em Lanternas: a HQ lotou o templo. A série mandou três pessoas
No episódio 6 de Lanternas, Hal Jordan ganha um funeral. Três pessoas. Uma xerife, um ex-Lanterna que passou dez anos tentando esquecer Rushville e uma Carol Ferris que a série parece ter lembrado de convocar quando o caixão já estava na cova.
Nos quadrinhos, o mesmo homem lotou um templo.
E não, isso não é detalhe de figurino. É sobre o tamanho que a história concede ao personagem.

O que a HQ fez com o corpo de Hal
É Green Lantern vol. 3, edição 81, de dezembro de 1996, “Funeral for a Hero”, com roteiro de Ron Marz e arte de Darryl Banks.
Hal tinha se tornado Parallax, destruído a Tropa e Coast City. Em The Final Night, usou o que restava de si para reacender o Sol e morreu no processo.
A DC então fez o que se espera de um Lanterna daquele calibre: chamou o universo.
Kyle Rayner construiu uma catedral verde no buraco deixado pela destruição de Coast City. John Stewart chegou de terno. Guy Gardner também. Carol Ferris falou. Superman falou. A Flash da época falou. Batman ficou no canto, porque Batman, mas estava lá. Alan Scott, Donna Troy, membros da Liga, representantes da Tropa e até gente que tinha motivos para não gostar de Hal compareceram.
A prancha que circulou esta semana — corredor verde, bancos lotados, o livro aberto com o rosto de Hal e a chama do anel — não é fanart. É dessa edição.
O velório é público porque a lenda era pública.
E a HQ não tentou transformar Hal em santo. Ele tinha acabado de passar por uma das maiores quedas da sua história, depois de destruir Coast City e massacrar a própria Tropa. O funeral acontece justamente depois disso.
A série fez o contrário: primeiro diminuiu o personagem e depois diminuiu até a quantidade de pessoas dispostas a enterrá-lo.

O que a série colocou no lugar
Rushville. Uma árvore. Um caixão. Kerry. John. Carol.
E acabou.
Sem Tropa. Sem Liga. Sem o anel criando uma catedral. Sem sequer a presença de pessoas que, nos quadrinhos, tinham motivos para odiar Hal, mas ainda assim entenderam a importância daquele momento.
A cidade que passou a temporada culpando Jordan pelo que Zoe fez nem aparece para prestar uma última homenagem. O Corpo, que na própria série ainda existe — Guy está por aí usando anel e uniforme — também não manda ninguém.
E Carol Ferris aparece como se o roteiro tivesse lembrado, no meio do caminho, que Hal Jordan tinha uma vida antes de Rushville.
Sem Ferris Aircraft. Sem Star Sapphire. Sem o peso que Carol carrega na mitologia do personagem. Ela está no funeral, mas quase parece estar ali apenas para que o velório não termine com duas pessoas em volta do caixão.
E isso combina com outro problema que a série já tinha apresentado: até o corpo de Hal parece não ter importância.
Ele leva um tiro à queima-roupa e, pouco depois, aparece sentado praticamente inteiro, sem nem o recuo esperado de um corpo atingido daquela maneira.
O funeral apenas completa a sensação.
Não é Hal Jordan que ficou pequeno.
É o universo ao redor dele que a série se recusou a construir.
Por que isso não é simplesmente “adaptação”
Uma adaptação pode mudar o cenário. Ninguém está dizendo que Lanternas precisava copiar a catedral de Kyle Rayner quadro a quadro.
Poderia ser um ginásio em Coast City. Um hangar da Ferris Aircraft. Uma cerimônia da Tropa no espaço. Qualquer coisa.
O problema é tratar o enterro de Hal Jordan, o primeiro Lanterna da Terra, como se fosse o enterro de um figurante de cidade pequena e depois esperar que o público sinta o mesmo peso que a história original construiu.
John Stewart não precisa de um velório vazio para parecer o adulto da história.
Guy não precisa roubar anel e uniforme nos bastidores enquanto o homem que usou aquele anel é enterrado sem praticamente nenhuma homenagem do próprio Corpo.
E Carol não precisa ser puxada pelo cabelo pelo roteiro apenas para lembrar ao espectador que ela existia.
A escolha é dramática, não cosmética.
Um funeral vazio passa uma mensagem: esse homem não moveu ninguém.
A edição 81 passa exatamente a mensagem contrária — inclusive sobre o Hal que tinha falhado.
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A análise completa do episódio 6 está no canal da Dra Geek:







