Lanternas Episódio 7: a absurda nova origem de Hal Jordan
Falta apenas um episódio para Lanternas chegar ao fim, mas o episódio 7 conseguiu deixar ainda mais evidente um dos maiores problemas da série: a maneira como decidiu reconstruir personagens importantes da DC.
E o principal deles continua sendo Hal Jordan.

A nova origem de Hal Jordan é um desastre
O episódio 7 finalmente revela o que aconteceu com a família de Hal Jordan, e a escolha da série é, para mim, uma das piores da temporada.
Martin Jordan não morreu em um acidente de avião, como nos quadrinhos. A série estabelece que ele tirou a própria vida, assim como o pai dele, e transforma esses acontecimentos em um suposto ciclo familiar de dor e autodestruição.
Isso muda completamente o significado de Martin para Hal. Em vez de perder o pai em uma tragédia, Hal descobre que ele escolheu desistir da própria vida e abandonar a família. E agora a série ainda sugere que esse comportamento pode fazer parte de uma espécie de legado dos Jordan.
É uma mensagem horrorosa.
E fica ainda pior quando a produção usa isso para explicar o próprio Hal. O personagem diz que não é destemido porque é corajoso, mas porque está quebrado.
Ou seja: o maior símbolo de força de vontade da DC passa a ser alguém que não teme a morte porque foi destruído pelo trauma familiar.
Para mim, isso não aprofunda Hal Jordan. Isso desmonta o personagem.
E o problema é que a série nem sequer construiu direito essa transformação. Os flashbacks mostram um Hal respeitado e admirado, enquanto o presente apresenta um homem amargurado, que perdeu o respeito pela Tropa e parece não se importar com praticamente nada.
Faltando apenas um episódio, ainda não sabemos como ele passou de um para o outro. E a explicação baseada no trauma familiar simplesmente não é suficiente.

John Stewart também não convence
O mesmo problema aparece na construção de John Stewart.
A série claramente quer colocá-lo como o futuro grande Lanterna Verde e como uma espécie de contraponto moral a Hal. Só que suas próprias atitudes tornam essa leitura cada vez mais difícil.
John mente, toma decisões questionáveis e agora aceita uma situação de suborno para sustentar a própria versão dos acontecimentos.
O problema não é o personagem cometer erros. O problema é a série querer apresentá-lo como a alternativa moralmente superior enquanto suas ações nem sempre sustentam isso.
Em vez de construir John através de uma evolução convincente, muitas vezes parece que o roteiro simplesmente precisa diminuir Hal para fazer John parecer melhor.
E John Stewart definitivamente não precisava disso.

Sinestro finalmente aparece
Depois de sete episódios criando expectativa, Sinestro finalmente entra em cena.
E essa deveria ser uma das grandes aparições da temporada.
Estamos falando de um dos personagens mais importantes da mitologia dos Lanternas Verdes, com uma história enorme ligada a Hal Jordan e à própria Tropa. Só que a série guarda sua participação para o penúltimo episódio e entrega algo bastante anticlimático.
Sinestro aparece em uma situação pouco digna do personagem e acaba sendo facilmente neutralizado por John.
Depois de esperar sete episódios, é difícil não sair decepcionada.
A série tinha pouquíssimo tempo para apresentar Sinestro e ainda assim escolheu uma participação que não passa a sensação de que estamos diante de alguém realmente importante.

E o roteiro continua ignorando as próprias regras
Outro problema do episódio é a conveniência com a bateria do anel de Hal.
Durante a temporada, a produção estabeleceu que o anel estava praticamente sem energia e chegou a transformar isso em um elemento importante da história.
Agora, quando o roteiro precisa manter o holograma de Hal funcionando por uma sequência muito mais longa, essa limitação parece simplesmente desaparecer.
Não é uma questão de ficar contando porcentagem de bateria. É sobre coerência. Se a série estabelece uma regra, não pode ignorá-la apenas quando ela atrapalha a cena que quer contar.
E esse tipo de problema pesa ainda mais quando faltam apenas 45 minutos para terminar toda a história.
Falta apenas um episódio
Depois de sete episódios, Lanternas ainda deixou muitas perguntas pelo caminho.
Quem matou Hal? Qual é exatamente o papel da Tropa nessa história? O que está acontecendo por trás dos acontecimentos de Rushville? E como todas essas peças vão se encaixar no final?
Ainda existem teorias interessantes para explicar algumas dessas pistas, mas chega um momento em que o público precisa confiar que existe uma resposta planejada por trás delas.
Agora só existe mais um episódio para provar isso.
O maior desperdício, para mim, continua sendo Hal Jordan. A série tinha um dos personagens mais importantes da DC e escolheu reconstruir sua história a partir de uma família marcada pelo suicídio e por uma suposta herança de autodestruição.
O resultado, até aqui, foi um Hal que parece cada vez menos com o personagem que deveria ser.
Agora resta apenas o episódio final para descobrir se tudo isso vai fazer algum sentido.
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